Goiânia, quinta, 23 de março de 2017
08/01/17 15461 visualizações

Por que Marconi visita tanto o governador do Amazonas?



Foto: Divulgação

O governador Marconi Perillo (PSDB) faz constantes visitas ao governador José Melo (Pros), do Amazonas. O motivo? Nunca se soube. Oficialmente, Marconi já falou em entreposto fiscal em Anápolis da Zona Franca mas, sempre que lá esteve, visitou as unidades prisionais do Estado.

Da última vez, inclusive, Marconi visitou unidades prisionais do Amazonas acompanhado do vice-governador Henrique Oliveira e do secretário de Administração Penitenciária, Pedro Florêncio. O objetivo era conhecer a experiência na co-gestão prisional com a Umanizzare (doadora da campanha de Marconi Perillo), empresa que surgiu em Anápolis e que contra os presídios do Estado - inclusive a unidade em que houve a chacina de 60 presos na semana passada.

Doações generosas
A empresa Umanizzare surgiu em Anápolis e doou R$ 850 mil para a campanha à reeleição do governador Marconi Perillo (PSDB) em 2014. A Umanizzare repassou R$ 750 mil via pessoa jurídica e a esposa de Luiz Gastão Bittencourt (presidente da Fecomércio do Ceará), homem forte da empresa, doou outros R$ 150 mil do próprio bolso. A Umanizzare surgiu em Anápolis e ganhou contratos de gestão de presídios no Amazonas e em Tocantins.

Hoje com sede em São Paulo, a empresa administra dois presídios em Tocantins e 6 no Amazonas - entre eles o Compaj, onde houve rebelião com mortes e fugas.

O jornal O Popular mostrou em novembro de 2016 que o governador Marconi Perillo prepara licitação para entregar presídios em Goiás à iniciativa privada.

Além da "Umanizzare Gestão Prisional e Serviços", faz parte do consórcio Pamas que administra os presídios de Manaus a "LFG Locações e Serviços Ltda". A LFG Locações e Serviços Ltda tem, até hoje, sede em Aparecida de Goiânia, é comandada por executivos goianos e foi criada em maio de 2014. Sua intenção era também administrar presídios em Goiás, na gestão de Marconi Perillo.

Em 2015, depois de criar uma secretaria específica para cuidar dos presídios, a Secretaria de Administração Penitenciária, o governador amazonense José Melo (Pros) contratou um consórcio, por meio de contrato de parceria público-privada, para administrar os presídios do Amazonas. O extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial do Estado do dia 9 de dezembro daquele ano. Era um contrato de R$ 205,9 milhões para concessão de cinco unidades prisionais por 27 anos, prorrogáveis até o limite de 35 anos.

A Umanizzare, que só em 2014 recebeu do governo amazonense R$ 137,2 milhões, prometia, como o seu nome já diz em italiano, “humanizar” os detentos.” A terceirização nos presídios é apontada pelo sindicato dos agentes penitenciários e pela oposição como uma das causas da barbárie no sistema carcerário do Amazonas e de outros Estados.

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