Goiânia, tera, 17 de outubro de 2017
17/09/17 3172 visualizações

Decantação, Lava Jato e Odebrecht explicam falta d'água em Goiás



Foto: Divulgação

Se hoje há racionamento de água em Goiás, não é obra do acaso. Além da Operação Decantação, a Operação Lava Jato também comprova os motivos da ausência de água na torneira dos goianos. Entre os doadores da campanha de Marconi Perillo em 2014 estão as empreiteiras Norberto Odebrecht e OAS, ambas envolvidas no escândalo da Lava Jato. Juntas, as referidas empresas doaram R$ 2,3 milhões para o tucano.

A Odebrecht doou R$ 1,8 milhão junto com a subsidiária Odebrecht Gás e Óleo, para a campanha de Marconi Perillo em 2014.  Via Caixa 2, foram mais de R$ 10 milhões, segundo delação premiada revelou recentemente. Fora que o governador Marconi Perillo (PSDB) chegou a pedir R$ 50 milhões, conforme relato de dois delatores. Além de doar para a reeleição de Marconi, a Odebrecht tem contratos gordos com seu governo.

Nos contratos com a Saneago, a Odebrecht foi protagonista do Consórcio Centro-Oeste, que também incluia a Construtora Central do Brasil (CCB), detentora de muitos outros contratos com o Estado, e a empresa de saneamento Foz do Brasil. Hoje este contrato está com a Brookfield. O modelo de subdelegação dos serviços de esgoto da Saneago funciona como concessão, em que a estatal terceiriza os serviços por meio de licitação. Isso garantiria ao consórcio Centro-Oeste receita líquida de R$ 49 milhões ao ano e, a partir de 2019, R$ 105,5 milhões ao ano. Portanto, em 30 anos, o faturamento previsto ultrapassa os R$ 2,7 bilhões com a exploração da rede de esgoto nos quatro municípios goianos. Muitos lucros, nenhuma água. 

O contrato terceirizou a exploração dos serviços de água e esgoto em Rio Verde, Jataí, Aparecida de Goiânia e Trindade. Marconi também tentou em Goiânia - mas o prefeito não deixou. Se esse faturamento de R$ R$ 2,7 bilhões fosse pros cofres do Estado, em vez do bolso das construtoras, a situação financeira do Estado não seria melhor? Certamente. E, também certamente, a falta de água não seria mais um dos vários problemas que o goiano enfrenta. 

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