A reintegração do Paraguai como estado membro do Mercosul é praticamente certa após as eleições presidenciais marcadas para este domingo (21) – desde que a votação aconteça de maneira isenta, sem indícios de fraudes ou golpes. O país foi suspenso da aliança comercial em junho de 2012, após o processo que levou ao impeachment do então presidente Fernando Lugo. A exigência para a volta foi a realização de eleições democráticas, o que deve acontecer no domingo.
“Vejo de forma tranquila a volta da Venezuela. Foi uma manobra do Mercosul, uma janela de oportunidade para suspender o Paraguai e colocar a Venezuela”, explica o professor Carlos Eduardo Vidigal, que leciona História da América na Universidade de Brasília (UNB), lembrando que a Venezuela – cuja entrada no Mercosul era bloqueada justamente pelo Paraguai, foi admitida ao bloco após o bloqueio.
“O Paraguai vai voltar ao Mercosul. O país quase entra em uma espécie de suicídio se não voltar ao Mercosul. Agora a Venezuela está no Mercosul, não pode haver questionamento disso na entrada paraguaia. Se não houver evidências comprovadas de uma fraude, tem que admitir o Paraguai”, opina Felix Pablo Friggeri, professor de Relações Internacionais e Integração da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).
A suspensão não envolveu sanções econômicas ao país, mas prejudicou as relações comerciais – e também políticas – com os países membros. Isso pode dificultar um pouco a volta do país ao bloco, devido a uma resistência paraguaia. “Os liberais autênticos, que estão no governo, fizeram criticas muito duras ao Brasil no caso da suspensão do Paraguai Mas eles não podem abrir mão desse bloco, no final aceitarão o retorno sem maiores resistências”, explica Vidigal. “E é interessante para os outros países a volta do Paraguai”.
Friggeri, da Unila, também vê certa resistência dos Colorados – partido que, segundo ele, claramente visa uma integração com a hegemonia dos Estados Unidos. “Acho que o Paraguai não pode renunciar aos processos integracionistas da América Latina, mas sinto que vai tratar de impor partes possivelmente difíceis”. Os dois partidos lideram as intenções de voto no país.
Fonte:G1
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