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Chefes da diplomacia russa, turca e iraniana discutem guerra na Síria
Data Publicação:28/04/2018
Os chefes de diplomacia russa, turca e iraniana se reuniram neste sábado (28) em Moscou para uma cúpula para relançar a busca por uma solução ao conflito na Síria, onde os três países se tornaram senhores do jogo.

Moscou e Teerã, que apoiam Damasco, e Ancara, aliada dos rebeldes sírios, são os patrocinadores do processo de Astana que levou ao estabelecimento de quatro "zonas de distensão" na Síria.

Mas a busca por uma solução para o conflito sírio, que já deixou mais de 350.000 mortos desde 2011, não avança devido aos interesses conflitantes de Moscou, Ancara e Teerã e divergências sobre o destino do presidente sírio, Bashar al-Assad.

A última cúpula entre os três países foi no início de abril, em Ancara. Os presidentes Vladimir Putin, Recep Tayyip Erdogan e Hassan Rohani prometeram na ocasião cooperar para alcançar um "cessar-fogo durável" na Síria.

A reunião em Moscou entre o ministro russo Serguei Lavrov, o turco Mevlut Cavusoglu e o iraniano Mohammad Javad Zarif irá "se concentrar em todos os aspectos da cooperação implementada como parte do processo de Astana e na identificação das etapas que poderiam ser decididas a partir de agora", indicou a diplomacia turca em um comunicado.

A diplomacia russa, por sua vez, declarou que as negociações se concentrariam na situação humanitária no país em guerra. "Prestar assistência ao povo sírio não deve ser condicionado a uma meta política", afirmou sua porta-voz Maria Zakharova, acrescentando que as discussões bilaterais também estão na agenda.

A intensidade das reuniões mostra "a importância que Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan dão às nossas relações", afirmou Serguei Lavrov no início de seu encontro com seu colega turco, que abriu a cúpula.

Mevlüt Cavusoglu elogiou "a confiança entre os dois países que pode permitir a resolução de questões de ordem regional".

A cúpula prosseguiu com o encontro entre o russo e seu colega iraniano.

Mas a união demonstrada pelos três países em Ancara foi esmagada após o suposto ataque químico atribuído ao regime contra o reduto rebelde de Duma e os ataques de represália conduzidos por Washington, Paris e Londres contra alvos militares sírios.

A Turquia aclamou os ataques como uma resposta "apropriada", enquanto a Rússia e o Irã se mobilizaram para defender o regime de Bashar al-Assad.

O suposto ataque químico "criou uma fissura na união entre esses três países", aponta Alexandre Choumiline. "As metas e objetivos de cada um são muito diferentes", continua ele, citando as ambições divergentes de Moscou e Teerã.

"O Irã precisa ter um pé no território sírio para ameaçar Israel", enquanto a Rússia "só quer estabilizar a situação e sair", diz o analista.

Chefe do Instituto do Diálogo das Civilizações, Alexei Malachenko também acredita que o trio é uma "aliança muito instável" com posições irreconciliáveis: "A Turquia tem uma posição muito clara: contra Bashar al-Assad, e é impossível chegar a um acordo sobre o assunto".

Em Bruxelas, na quarta-feira, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, insistiu para que "a Rússia e o Irã pressionem Damasco a aceitar a sentar-se à mesa de negociações sob os auspícios das Nações Unidas".

Após o fracasso retumbante do Congresso Nacional Sírio realizado na cidade de Sochi, em janeiro, "a Rússia está interessada em uma retomada do processo de Genebra", acredita Alexander Choumiline, para quem este será "o tema principal da reunião ministerial".


Fonte:Yahoo.com



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