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A Catedral Anglicana de Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, tem como reverendo Aldo Quintão, 49 anos, conhecido por ser um religioso mais liberal e menos restritivo às pessoas que freqüentam sua igreja – incluindo-se aí gays, pessoas divorciadas e de outras religiões. Em entrevista à Folha de S. Paulo publicada na última terça-feira, 28 de fevereiro, ele disse que vai sim celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
O reverendo que é brasiliense e já foi engraxate acredita que o título de liberal foi dado a ele “talvez porque debato questões polêmicas e defendo minorias. Temas como o direito ao aborto, os estudos com células-tronco, o respeito aos gays e o uso de anticoncepcionais devem ser abordados”.
Ele diz ainda na entrevista que em sua igreja “todos são bem-vindos. Inclusive gays assumidos, divorciados e fiéis desiludidos com outras religiões. O mundo moderno é marcado por uma sociedade plural. Na minha leitura do Evangelho, todo mundo tem o direito de ser feliz”. “Casamento gay? Farei assim que a lei permitir.
Entrevista:
Qual é o maior pecado paulistano? O individualismo, que se traduz na insensibilidade diante dos dramas sociais. Precisamos de mais solidariedade. Parece óbvio, mas é muito difícil encontrar isso em uma cidade como São Paulo.
Por que dizem que o sr. é liberal? Talvez porque debato questões polêmicas e defendo minorias. Temas como o direito ao aborto, os estudos com células-tronco, o respeito aos gays e o uso de anticoncepcionais devem ser abordados. Quero discutir o que é o mundo contemporâneo --e não o que é a igreja.
São Paulo é uma cidade liberal? Por um lado, é liberal. É uma metrópole gigante, que garante o anonimato. Por outro, é conservadora nas relações entre conhecidos. Somos liberais enquanto cidade e conservadores enquanto família.
Quem frequenta a Igreja Anglicana? Todos são bem-vindos. Inclusive gays assumidos, divorciados e fiéis desiludidos com outras religiões. O mundo moderno é marcado por uma sociedade plural. Na minha leitura do Evangelho, todo mundo tem o direito de ser feliz. Aqui, as pessoas sentem que as diferenças são respeitadas.
Quais foram os casamentos mais marcantes que realizou? Foram dois extremos. Um foi a união de dois amigos de infância, num rancho em Pindamonhangaba (SP), onde brincavam quando crianças. O outro foi o casamento do cantor sertanejo Bruno, no Terraço Daslu. Adoro música sertaneja. De repente, vi que estava celebrando uma missa para Chitão- zinho, Daniel e Michel Teló. O próximo noivo famoso é o cantor Paulo Ricardo.
Quantos casamentos já celebrou? Já fiz mais de 3.000 casamentos, 90% em São Paulo. Casei evangélicos, hindus, judeus, muçulmanos, grávidas, desquitadas e por aí vai. Casamento gay? Farei assim que a lei permitir.
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