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Os 190 anos da Independência do Brasil
Data Publicação:07/09/2012

O desfile de 07 de setembro deste ano, além de tratar do patrotismo comemora os 190 anos da Independência do Brasil.

O 07 de Setembro de 1822 não trouxe transformações em nossa história colonial, tampouco foi um ato isolado de D. Pedro I; somente consolidou a ruptura política iniciada 14 anos antes quando houve a abertura dos portos.
O trabalho escravo, a monocultura e o latifúndio, que eram as bases econômicasrepresentantes dos privilégios aristocráticos, permaneceram inalterados.
A emancipação política foi um processo encaminhado pela aristocracia rural brasileira com todo o cuidado para não afetar os privilégios de que gozavam, ou seja, o escravismo e o latifúndio. Isso significou que a Independência foi verticalmente imposta e baixada com o intuito de preservar a unidade nacional e a conciliação entre as divergências existentes na elite rural, mantendo distanciamento dos setores pobres da sociedade.
Quando D. João VI retornou a Portugal e a Corte exigiu que o príncipe regente também retornasse, os articuladores da emancipação entraram em pânico sem saber como conteriam a recolonização e, paralelamente, preservariam seus privilégios numa eventual ruptura com Portugal.
O movimento somente passou a adquirir ritmo acelerado, graças à atuação de homens como José Bonifácio de Andrada e Silva (Patriarca da Independência) e Gonçalves Ledo.
Aos 13 de maio de 1822, D. Pedro I recebeu o título de Defeensor Perpétuo do Brasil, e desse dia em diante as leis portuguesas passaram a ser obedecidas somente com seu aval.
Convocou-se em 03 de junho uma Assembleia Geral Constituinte e Legislativa, e a partir de 01 de agosto qualquer tropa portuguesa que tentasse desembarcar no Brasil seria considerada inimiga.
A reação da Corte Portuguesa foi em tom ameaçador: enviaria tropas ao Brasil caso o Príncipe não retornasse imediatamente - informação recebida por intermédio de José Bonifácio. 
No dia 07 de setembro de 1822, D. Pedro I, que se encontrava em São Paulo, às margens do Riacho Ipiranga, após a leitura de algumas cartas que haviam chegado da Corte, bradou as famosas palavras de ordem à Independência.
Quando chegou ao Rio de Janeiro, em 14 de setembro, foi aclamado Imperador Constitucional do Brasil. Embora a coroação fosse acontecer apenas em 01 de dezembro, a partir da aclamação foi o início do Império.

O Grito do Ipiranga

D. Pedro I teve o ano de 1822, como um período dramático em sua vida. Foi em 01 de janeiro que ele recebeu o manifesto escrito por José Bonifácio e assinado por toda a junta provincial da Cidade. Até então, havia alguns cartazes espalhados pelas ruas do Rio e das manifestações entusiásticas que vinha recebendo. D. Pedro I não registrara nenhum sinal de apoio à sua permanência no Brasil. Mas a carta de José Bonifácio era impactante. Segundo ela, as Cortes de Lisboa, baseadas no "despropósito e no despotismo" buscavam impor ao Brasil "um sistema de anarquia e escravidão".
Movidos por uma "nobre indignação", os paulistas estavam "prontos a derramar a última gota do seu sangue e a sacrificar todas as suas posses para não perder o adorado Príncipe", em quem colocavam "suas bem fundamentadas esperanças de felicidade e honra nacional".
Apoiado pelo povo e por tropas leais, D. Pedro I resistiu. A Independência, agora, é uma questão de tempo. Marcam a aproximação entre D. Pedro I e a facção mais conservadora da elite brasileira, formada por homens que, em sua maioria, tinham frequentado a Universidade de Coimbra e partilhavam da ideia de um império luso-brasileiro. Cinco dias após ter expulsado do Rio as tropas lusas, comandadas pelo general Avilez, D. Pedro I organizou um novo ministério e, para liderá-lo, escolheu José Bonifácio de Andrada e Silva.
Em 01 de Agosto, declarou inimigas todas as tropas enviadas de Portugal sem o seu consentimento. No dia 14, partiu para São Paulo para contornar uma crise na província. Em 07 de setembro, o Príncipe recebeu as cartas às margens do Riacho Ipiranga e concluiu que era a hora de romper com a metrópole. Depois de ler, amassar e pisotear as mensagens, D. Pedro I montou "sua bela besta baia", cavalgou até o topo da colina e gritou à guarda de honra:
"Amigos, as Cortes de Lisboa nos oprimem e querem nos escravizar... Deste dia em diante, nossa relações estão rompidas". Após arrancar a insígnia portuguesa de seu uniforme, o Príncipe sacou a espada e gritou: "Por meu sangue, por minha honra e por Deus: farei do Brasil um país livre". Em seguida, erguendo-se nos estribos e alcançando a espada, afirmou: "Brasileiros, de hoje em diante nosso lema será: Independência ou Morte". Eram 04 horas da tarde do dia 07 de setembro de 1822




Fonte:Janio Pires



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