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“Este não é o primeiro livro sobre os Rolling Stones. Na verdade, você pode apostar que também está longe de ser o último.” A declaração sincera, escrita na introdução de Rolling Stones: 50 anos de rock (Escrituras), é de Howard Kramer, ex-empresário, agente, gerente de turnês musicais e, desde 1996, curador do Hall da Fama do Rock and Roll. Numa edição que se equilibra entre belas fotos e textos ágeis, mas precisos, Kramer compõe um painel da interminável banda londrina. No ano que vem, o grupo completa um ciclo de cinco décadas de centenas de apresentações, discos clássicos, uma coleção de petardos pop e, claro, um histórico de drogas, bebidas, términos e retornos, mulheres, boletins de ocorrência policial, manchetes sensacionalistas. Pura rebeldia.
ROLLING STONES: 50 ANOS DE ROCK De Howard Kramer. Editado por Valeria Manferto De Fabianis. Escrituras, 274 páginas. R$ 86.
Trechos
Banda de multidões “Também chamada de turnê norte-americana, a viagem de 1981 só teve apresentações nos Estados Unidos. Talvez o clima canadense ainda estivesse um pouco hostil, e não fizesse sentido criar mais problemas se fosse possível evitá-los. As apresentações dessa turnê foram feitas principalmente em estádios, mas também em alguns anfiteatros e teatros. Os Stones foram os pioneiros de um novo aspecto do ramo dos concertos. A turnê de 1981 passou a ser a primeira a ter peso e um patrocinador. Dizem que a fábrica de perfumes Jovan pagou US$ 1 milhão para ter seu nome na turnê. Os próprios membros da banda não deram nenhum aval pessoal ao produto.”
Antes da morte de Jones “Nos primeiros dias de junho de 1969, Jagger, Richards e Watts viajaram para a recém-comprada casa de (Brian) Jones, em Cotchford Farm, onde A.A. Milne havia composto Winnie the Pooh. Lá disseram a Jones que ele estava fora da banda. A atmosfera de velório da reunião foi difícil para todos, mas o tom foi civilizado e eles foram embora numa boa, com a ideia de anunciar a mudança à mídia. A edição de 14 de junho de Melody Maker falou da partida de Jones, do novo emprego de Taylor e do concerto de retorno planejado para o Coliseum de Roma para daí a menos de duas semanas, e que não aconteceu. Também anunciou um novo show gratuito no Hyde Park, a ser realizado em 5 de julho. Os Stones começavam a ensaiar com o novo guitarrista e a se preparar para entrar em estúdio outra vez. Em 3 de julho, Brian Jones morreu aos 27 anos de idade. Foi encontrado na piscina de sua casa.”
Exile on main street (1972), o melhor álbum? “A densidade sonora do disco está em oposição com o despojamento da maioria das obras feitas para tocar no rádio pelos melhores grupos de rock. O único disco duplo dos Beatles (um homônimo de 1968, apelidado de The whilte album) foi recebido com o mesmo tipo de reação. A grande diferença é que os Beatles foram na horizontal em busca de sons, ao passo que os Stones mergulharam de cabeça na fonte.”
Fonte:C Brasiliense
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