Durante o velório da auxiliar de serviços gerais Cláudia Ferreira da
Silva, hoje (17), no Cemitério de Irajá, na zona norte do Rio, o marido
dela informou que pretende processar o Estado e negou que ela tenha sido
morta em troca de tiros, como justificou a polícia. Alexandre Fernandes
da Silva disse que a esposa foi atingida quando saiu para comprar pão.
Ela foi baleada ontem (16), em operação da Polícia Militar (PM) no Morro
da Congonha, em Madureira, zona norte do Rio, e teve o corpo arrastado
durante o socorro prestado em uma viatura policial, chegando morta ao
hospital, segundo a Secretaria Estadual da Saúde.
Cláudia foi atingida por dois tiros durante a operação e foi colocada
pelos policiais no porta-malas de um carro do 9º Batalhão da PM, em
Rocha Miranda, para ser socorrida, segundo alegaram. No transporte, a
porta traseira abriu e a auxiliar de serviços gerais ficou presa do lado
de fora do veículo, sendo arrastada. Os policiais disseram que estavam
levando a vítima para o Hospital Carlos Chagas. A mulher tinha quatro
filhos e ainda cuidava de quatro sobrinhos. Ela completaria 20 anos de
casamento no dia 18 de setembro.
“Chegaram atirando nela. De frente para ela. Não foi troca de tiro. Eles
deram um tiro nela, no peito e outro no pescoço. Eles passaram no meio
do tumulto, viram alguma coisa e chegaram atirando", revelou Alexandre,
acrescentando que a mulher saiu de casa para comprar pão e mortadela e
tinha na mão apenas três notas de R$ 2 e um copo de café. "Vivemos à
mercê dos fora da lei e da polícia, que deveria nos proteger. A polícia
entra [na comunidade] e não quer saber quem é trabalhador”, completou.
Revoltado pela mulher ter sido classificada no boletim de ocorrência
policial como traficante, o marido apontava a quantidade de colegas
presentes no velório trazendo solidariedade à família. “Está chegando
mais um ônibus da Nova Rio [empresa em que a esposa trabalhava] para a
traficante, que saía todo dia 5h30 da manhã quando pegava [o serviço] às
7h. Depois saía às 4h20, quando passou a pegar às 6h. A traficante que
eles botaram quatro revólveres em cima e arrastaram que nem um bicho”,
contou.