A Corregedoria da Polícia Militar e dois promotores do Ministério
Público estadual do Rio apreenderam, nesta segunda-feira (15), R$ 287
mil na casa do major Edson Pinto de Goes.
No momento em que o dinheiro foi encontrado o major não fez qualquer comentário. Goes disse que só irá falar na Justiça.
A ação foi resultado de uma operação deflagrada nesta segunda. A
Justiça do Rio expediu 24 mandados de prisão contra PMs que entre 2012 e
2013 praticaram uma série de extorsões na área do batalhão de Bangu,
zona oeste da cidade, contra comerciantes ou motoristas de vans.
"A corrupção era institucionalizada. Tudo que estava a margem da lei
era alvo da quadrilha", disse o subsecretário de Inteligência da
Segurança do Rio, o delegado Fábio Galvão.
Pelo menos 22 policiais foram presos. Dois permanecem foragidos.
As propinas, de acordo com os investigadores, eram diárias, semanais ou mensais. Variavam de R$ 30 a R$ 2.600.
O grupo, de acordo com a Polícia Militar e o Ministério Público,
seria chefiado pelo comandante de Operações Especiais da corporação, o
coronel Alexandre Fontenelle, o terceiro homem na hierarquia da PM do
Rio.
Além de chefiar várias unidades do Rio, o coronel Fontenelle também pertenceu ao Bope (Batalhão de Operações Especiais).
Todo o esquema teria começado no período que o coronel Fontenelle foi
comandante do batalhão de Bangu. Segundo a polícia, mesmo saindo da
unidade, Fontenelle e equipe ainda receberiam dinheiro da propina.
Entre os denunciados, além de Fontenelle e do major, estão outros
quatro oficiais que eram lotados no 14° BPM (Bangu): o ex-subcomandante
major Carlos Alexandre de Jesus Lucas - também lotado atualmente no
Comando de Operações Especiais -, os majores Nilton João dos Prazeres
Neto (chefe da 3ª Seção) e os capitães Rodrigo Leitão da Silva (chefe da
1ª Seção) e Walter Colchone Netto (chefe do Serviço Reservado). Todos
eles disseram que só falariam das prisões na Justiça.
Também são acusados de integrar a quadrilha 18 PMs e um civil.
Entre 2012 e o segundo semestre de 2013, os acusados e mais 80
pessoas, entre os quais policiais do 14° BPM, da 34ª DP (Bangu), da
Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra a Propriedade
Imaterial (DRCPIM), além de PMs reformados, praticavam diversos crimes
de concussão (extorsão cometida por servidor público) na zona oeste do
Rio.
De acordo com a denúncia, baseada em depoimentos de testemunhas,
documentos e diálogos telefônicos interceptados com autorização judicial
que compõem mais de 20 volumes de inquérito, "o 14° BPM foi
transformado em um verdadeiro "balcão de negócios", numa verdadeira
"sociedade empresária S/A", em que os "lucros" eram provenientes de
arrecadação de propinas por parte de diversas equipes policiais
responsáveis pelo policiamento ostensivo, sendo que a principal parte
dos "lucros" (propinas) era repassada para a denominada "Administração",
ou seja, para os oficiais militares. que detinham o controle do 14º
BPM"
"As investigações já estão encerradas e concluídas. Eles são réus", afirmou o promotor Cláudio Calo.
Os acusados responderão na 1ª Vara Criminal de Bangu pelo crime de
associação criminosa armada, que não consta do Código Penal Militar.
A pena é de dois a seis anos de reclusão. Os integrantes da quadrilha
também serão responsabilizados pelo Ministério Público pelos crimes de
concussão.
Fonte:folhapress
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