Após passar 11 meses e 20 dias dormindo todas as noites na cela, o
ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado no processo do
mensalão, deverá obter nesta terça-feira (4) o direito de cumprir o
restante de sua pena em casa. No início da tarde, ele irá a uma
audiência na Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito
Federal para assinar um termo que o libera para a prisão em regime
domiciliar, já autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
Apontado como o mentor do esquema de compra de apoio político no
Congresso durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, Dirceu pegou 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção
ativa. Preso no dia 15 de novembro do ano passado, ele cumpre pena no
regime semiaberto e, em junho, obteve o direito a trabalhar fora durante
o dia na biblioteca de um escritório de advocacia na área central de
Brasília.
Antes disso, em dezembro, Dirceu havia conseguido um emprego de
gerente de um hotel em Brasília, com salário de R$ 20 mil. Com a
descoberta de que o hotel pertencia a uma empresa presidida por um
panamenho que mora em área pobre na Cidade do Panamá, suspeito de ser um
laranja, a defesa acabou desistindo do trabalho.
No serviço de auxiliar de escritório, Dirceu assinou um contrato para
receber R$ 2,1 mil por mês. Por causa do trabalho, ele conseguiu
antecipar o direito de pedir a progressão para o regime aberto em 142
dias. A lei penal permite que, se tiver bom comportamento, o preso
reduza um dia de prisão a cada três dias dedicados ao trabalho ou ao
estudo.
No mês passado, chamado a opinar sobre a progressão, o procurador-geral
da República,Rodrigo Janot, apontou que o Centro de Progressão
Penitenciária de Brasília, prisão onde Dirceu dormia à noite, confirmou
que ele preencheu o requisito do bom comportamento carcerário.
No início da pena, Dirceu passava o dia e a noite na penitenciária da
Papuda, nos arredores de Brasília, dividindo cela com o ex-presidente
do PT José Genoíno e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares. O
primeiro obteve a prisão domiciliar em agosto e o segundo em setembro.
Outros condenados do “núcleo político” do esquema, o ex-tesoureiro do
extinto PL Jacinto Lamas e o ex-deputado federal Bispo Rodrigues também
já cumprem a pena em casa.
Somente o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto aguarda autorização do
ministro Luís Roberto Barroso para ter o mesmo benefício.
No regime aberto cumprido em casa, o condenado não precisa usar
tornozeleira eletrônica, mas é proibido de portar armas, usar ou portar
entorpecentes e bebidas alcoólicas e de frequentar bares.
Fonte:G1
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