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Mais de um terço das obras indicadas pelo Operador Nacional do Sistem
Elétrico (ONS) como prioritárias para garantir o abastecimento elétrico
do País deixa de ser executada pelo governo. A informação consta do
Plano de Ampliações e Reforços (PER), relatório do ONS que acaba de ser
concluído. Nesse documento, que é atualizado anualmente, o órgão
responsável pela gestão do suprimento nacional de energia define quais
os projetos atrelados à transmissão e de energia devem entrar em
operação nos próximos três anos, para evitar riscos de pane e apagões. A
lista de empreendimentos também aponta a necessidade de erguer novas
subestações de energia.
Cobrança
No
balanço que acaba de ser concluído, o ONS destaca que, de um total de
310 obras que precisam ser construídas entre 2015 e 2017, 34% são
empreendimentos que já foram pedidos em estudos anteriores, mas não
foram licitados pelo governo. Por isso, são novamente cobrados pelo
operador do sistema elétrico. Pelos cálculos do ONS, o governo
teria de investir R$ 13,8 bilhões nessas ações de ampliação e reforço de
linhas de transmissão. Ocorre que boa parte dos projetos nem sequer tem
previsão de ser objeto de leilão.
Os dados apontam que, dos 45 mil quilômetros de novas linhas de
transmissão que precisam entrar em operação nos próximos três anos, 10,2
mil quilômeros ainda não têm previsão de concessão, ou seja, não estão
no planejamento para serem leiloadas. A maior parte dessas linhas está
concentrada nas regiões Sudeste/Centro-Oeste (38%), onde está a maior
parcela do consumo nacional de energia. Os 10,2 mil quilômetros de linha e
as novas subestações somam 147 empreendimentos, dos quais 43 são obras
herdadas de anos anteriores. Quanto aos reforços para o Sistema
Interligado Nacional (SIN), rede que distribui energia pelo País, são
relacionados 163 projetos, com 61 deles já cobrados antes.
Para especialistas do setor, boa parte da frustração dos resultados
está relacionada à crescente incapacidade do governo de atrair
empreendedores interessados em investir em projetos elétricos,
principalmente de transmissão de energia.
"Os projetos estão sendo oferecidos com um preço-teto totalmente
irrealista ao investidor. Soma-se a isso o risco envolvido nesses
projetos, principalmente quanto ao licenciamento ambiental. Não é por
acaso que os leilões têm dado resultado vazio", comenta Claudio Sales,
presidente do Instituto Acende Brasil, especializado em estudos do setor
elétrico.
Leilão
No dia 18, o governo realizou um leilão de nove lotes de linhas de
transmissão, os quais somavam 4.723 quilômetros de malha. Apenas quatro
dos nove lotes receberam proposta, alcançando apenas 2.464 quilômetros
do total. Nenhum dos lotes teve disputa. Quem deu o lance levou a linha
pelo preço que apresentou.
"Qualquer investidor faz a sua proposta comercial baseada no grau de
risco que se dispõe a enfrentar. O que ele acaba percebendo é que o
risco está tão elevado que inviabiliza sua proposta. Ninguém vai entrar
de graça em uma aventura", diz Cristopher Vlavianos, presidente da
Comerc, gestora independente de energia elétrica.
Para Claudio Sales, do Acende Brasil, a atuação da Eletrobrás também
tem afastado as empresas. "Não bastasse o fato de o preço-teto
estabelecido pelo governo ser muito baixo, ainda temos um competidor
estatal que joga contra o próprio patrimônio. No último leilão, a
empresa fez uma proposta com deságio de 14% sobre o valor teto, em um
leilão sem competição", avalia. "O resultado desse tipo de comportamento
está no próprio balanço da estatal, que tem tido prejuízo recorrente e
não dará conta sequer de pagar dividendos neste ano."
Dos quatro lotes que tiveram proposta no último leilão, apenas um foi
fechado com um investidor privado, a Isolux, que ofereceu um desconto
de 0,60% em relação ao teto estipulado na licitação
Fonte:Yahoo.com
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